15 de dezembro de 2010

Na sombra da Sociedade

Um caminho sombrio, rasgado pela sombra do sol que não penetra, atravessado pela imensidão de alguéns vestidos de negro e de múltiplas cores. Sim, sem dúvida, não vejo maior motivo para caminhar.
Todos os dias, faça-se o que se fizer, somos capazes de nos deparar com muitas coisas que nos custam ver, que nos custam compreender. Todavia, eu, na minha pessoa, ainda me atrapalho, quase que apenas, comigo mesmo. Talvez não perceba os porquês ou talvez me custe entendê-los, mas, de facto, o orgulho existe mesmo na falta de compreensão.
Sinceramente, não me cabe na cabeça as motivações que levam alguém a debruçar-se sobre os cinismos da vida , pretendendo seguir, cegamento, mas de olhos bem abertos, aquilo que não são e tão pouco desejavam ser. É surreal que a entrega da personalidade, nos dias que correm, seja tão leviana e instrumental que, quase, muita gente, já o faça por instinto.
Uma coisa, caros leitores, vos posso garantir, se fosse como estes, não seria o que sou e o que sou deve-se ao trabalho que comigo faço todos os dias, olhando para mim.
Por vezes, sim, ocorre-me olhar para sociedade comum, mas o terror é tanto que acabo a preferir fechar-me em mim, lutando para que tudo mude. Fazer sentido ou não depende daqueles que interpretam as minhas e as palavra daqueles que talvez consigam ser meus inimigos, inimigos da palavra.
Para concluir, se me permitem, os desafios nunca são poucos e, para mim, dizer-vos que a minha vida não passa nem quero que passe de uma constante luta é um orgulho imenso, porque todos os dias encontro motivos novos ou semi-novos para o fazer.

JMP

14 de novembro de 2010

Eloquência natural

Olhando pela minha janela, observando o exterior, deparo-me com o balanço tépido de umas árvores que parecem querer dizer algo, mas calam no imenso movimento que praticam. Basta apenas uma simples rabanada de vento para que estas demonstrem a sua essência, nada dizendo, nada retorquindo para a vida.
É desta forma que ao observar estes elementos da natureza, sei que nada vejo, mas que vejo a realidade. A realidade de um mundo fraco e tremido, de uma sociedade parca em valores e pouco exigente. Provavelmente, está na moda (e porque se assim for nada há a fazer) retirar de moda os valores intrínsecos, regentes de uma comunidade. Na verdade, vivemos perante uma perspectiva economicista que apenas dá valor à distribuição do produto, desde que essa distribuição seja bem feita, ou seja, seja feita com enorme desigualdade e sem rigor.
Tal como a humanidade, estas árvores também irão morrer, também precisam de água para beber e de nutrientes para se alimentarem. De facto, um percurso de necessidades muito idêntico ao do Homem. No entanto, meus amigos e leitores, veja-se que até o são no comportamento. Abanam, mexem, batem as folhas e nada dizem. Parece-me um pouco como um comício politico: as pessoas abanam-se na desconfortáveis cadeiras destinadas à população, mexem-se e remexem-se à medida que os discursos as vão incomodando e o seu corpo vai ficando dormente, batem palmas mesmo não tendo percebido metade do que foi dito, mas... mas nada dizem para mudar!
Meus caros, não me restam dúvidas! O problema da nossa sociedade está na fraca capacidade de compreensão que o povo revela. Não tenho problema em admitir: julgo-nos um povo inculto e fragilizado.
Ao fim da tarde, ao olhar pela janela, as árvores lá estão, como que a observar tudo em seu redor, mas, surpreendentemente, já não mexem nem abanam, o vento parou...

31 de agosto de 2010

Um ópio, um desastre...

Absolutamente incrível e “cabrónico” o ópio do povo. Falo da religião e da crença e fé em toda a igreja, em todo o símbolo religioso.
Inocentes ou não (mais de acordo), entregam-se a uma figura pespegada numa cruz, dizendo bem forte: “ Sou teu, guia-me! Servir-te-ei!”. Escravatura? Ditadura? Qual destes o melhor? Será preciso refutar bem alto que a Idade Média e/ou os tempos de Salazar já lá vão? Tantas perguntas e nenhuma resposta, nem mesmo por parte daqueles que bem por dentro destes assuntos vivem e assentam.
Eu, e porque este é o meu espaço e aqui posso exprimir-me, tal como em todo o local do mundo, digo, caros leitores, que é absolutamente infeliz o facto de o ser humano (que tanto luta pela liberdade) se entregar a algo ou alguém , talvez alguma coisa, que dizem postular igualdade e amor e que, no fim, apenas desencadeia luta, guerra, relações de inferioridade/superioridade e destruição.
Na verdade, julguei e julgava que o mundo estava livre. Livre de repressão, livre da censura, mas pelos vistos não e simplesmente porque as pessoas não querem! Alguém julga que isto pode mudar? Já se esqueceram como era nos tempos da monarquia? Será necessário um livro de História??? Pois bem, ISTO nunca mudará! Se calhar, ao longo dos tempos, e porque o mundo foi mudando e (talvez) evoluído, todas estas “cabronhices” foram atenuadas, mas, simplesmente, porque lhes foi retirado grande parte do seu poder. Agora, hoje em dia, eles bem tentam, tentam... ir ganhando espaço para tentarem voltar a crescer, mas não podemos deixar. Eles são prepotentes, irrisórios, transeuntes e falsos. Se não, vejamos aquelas pessoas que aos Domingos se dão ao luxo (dizem elas) de se levantar cedo para ir à missa (das 11h:00min até às 12h:00min) apenas para tentarem ficar ilibadas dos pecados que cometeram a partir das 12h:01min do Domingo da semana anterior. Enganam-se a eles, e a quem pensa que eles naquilo acreditam. O que será isto?
Tenho sorte, tenho sorte de não me cansar de lutar, tenho sorte de ter a idade que tenho e poder pensar que muitos anos me restam para lutar. Eu sou livre e, não escondo o desejo de querer ver o mundo livre. Quebrar as mais diversas selas e prisões cansá-las e enfrentá-las é, uma das formas para atingir a liberdade de viver. Eu também acredito e tenho crenças, confio em mim, porque, pelo menos, ao olhar um espelho, a minha imagem reflecte e quando falo, a minha voz faz-se ouvir.

20 de junho de 2010

A viagem em mim

Sinceramente, naquilo que me diz respeito, uma viagem é e tem de ser sempre muito mais que um simples passeio, muito mais que uma simples viagem. Assim, cada viagem tem de ser encarada como A viagem.
Considero que todos os dias viajamos, dentro de nós e dentro de uma sociedade que nos rodeia e consome dia após dia. E sim, reflectindo sobre cada viagem que faço, seja para onde for, julgo que me desenvolvo e me vou conhecendo, a mim, quando penso que nada mais há para conhecer. Feliz ou infelizmente, quem sabe, ao viajar descobrimos outros povos, outras nações, outros costumes, enfim, simplesmente outras pessoas, diferentes ou iguais a tudo aquilo que sempre imaginámos.
A meu ver, julgo que devemos viver com o sentimento “prazeroso” de um mundo idêntico ao do “Peter Pan”, um mundo de sonhos e viagens constantes, na busca pela felicidade.
Uma viagem deve ser, assim, um momento de prazer e felicidade, um momento de busca e de complexidade, no qual nos devemos sentir bem, um momento de conquista, qualidade de vida e bem-estar.
Todavia, o problema surge quando este prazer, esta felicidade e este bem-estar não se alcançam. Aí, a vida deixa de ter o seu sentido lógico, a vida deixa de ser vida, porque ela é uma constante viagem, onde o normal não é normal e a irreverência tem de vir ao de cima.
Aqui, pretendo deixar bem claro que não tenho destino e apenas viajo por onde me levo e conduzo, viajo vivendo. Tendo, simplesmente, aprender a viver, para poder viajar.


12 de junho de 2010

Simplesmente nasci, nascido

Nascido para andar sozinho e para sozinho caminhar pelo infinito de tudo aquilo que não existe.
Foi num dia quente de Verão que resolvi dar uma dor de cabeça ao mundo, foi neste dia que chorei pela primeira vez. Desta vez, não me recordo, mas adivinho o propósito. Mais uma vez, lutar e nada mais que isso (como se isso pouco fosse)!
Nasci, nasci para me agradar e para me não arrepender, nasci para rebentar com a pobre e tristeza presença do mundo, na vida de cada um, que na minha vida existe, também. Nasci para me guiar, nasci para me determinar! Nasci para demonstrar a imposição de tudo aquilo que não quero que sigam, nasci para desfrutar da raiva e do furacão da necessidade de liberdade e de justiça. Nasci para combater a frustração do mundo, do meu mundo. Aquele que eu construo!
Nasci, simplesmente, para ser eu!

11 de junho de 2010

Aquela estupidez internamente incorporada

Todos os dias, a toda a hora, viajo sobre um mundo "irrealisticamente" formado e sustentado, onde grande parte das pessoas são estúpidas e horrorosamente aparentes.
É constante, em mim, a necessidade de perguntar e questionar esta gente, estes seres, se são sempre assim tão horrorosamente estúpidas, julgando-se estupidamente inteligentes, ou se encontram, naquele momento, a fazer um eforço suplementar.
Vivo sempre certo de que entre a verdade e a mentira existe sempre a dúvida e a dúvida é um posicionamento legitimado pela observação e experiência vivenciada.
Já dizia Popper que "o erro é o motor do conhecimento"!
Pobre sociedade horrenda, por ti eu não luto, lutarei pela justiça, pela igualdade e pela verdade e sempre por uma minoria que ainda existe e se irá manter.

4 de junho de 2010

O sofrimento do constante sentimento

É profundamente demarcado o facto de que, como já dizia Carlos Drummond de Andrade, a dor é inevitável e o sofrimento é opcional. Porém, quando me tento abstrair do carácter abstracto do pensamento só me resta a profundidade “desintelectual” do sentir, que me permite chegar mais alem, conhecer o sombrio e desvendar o encoberto. No entanto, se sinto para evitar a falsidade e tudo o que falacioso me parece, como poderei desvendar tudo em palavras? Serei obrigado a pensar? Em que ramo da mentira cairei?
De facto, eu sou eu comigo e ninguém nem nada poderá assumir o controlo de mim. Sou um eu uno e firmemente afirmado, num mundo falso e hipocritamente implícito numas realidades sonâmbulas e inexistentes.
No entanto, caio sempre na asneira de cair no raciocínio pensado, mesmo que tenha começado por um mais, ou completamente, sentido. É mais uma das minhas lutas! Sim, luto, com todo o empenho para combater o irreal da verdade e a ausência de justiça, mas ser eu, com toda a minha pujança é algo de que não abdico, sendo cada uma das minhas circunstâncias e características, intensamente.
Por vezes, parece-me que vivemos num mundo do Noddy, mesmo sem os guizos no carapuço, mundo em que tudo é colorido, fantasiado e uma simples brincadeira para certas idades. Terão todos vontade de ser “Noddies”?
Sinto-me cansado, raivoso e irritado, sentindo as minhas realidades circundarem-me, cheirando-as, tacteando-as, saboreando-as, ouvindo-as e vendo-as, mesmo no seu mai profundo estado de falsidade e “incompletidão”.
Não perfuro, como Descartes, a realidade ou não da minha existência. Contudo, prefiro também dizer: sinto, logo existo!, apesar de o meu carácter impulsivo e orgulhoso me conduzir ao raciocínio pensado, aquele que me faz sofrer.
E o problema começa agora. Se pensar faz realmente sofrer, por que é que sentindo também sofro? Sofro porque o ar é irrespirável, as pessoas inaudíveis, os sabores pálidos e pobres, e a conjuntura plácida e fraca. Começo assim a acreditar que tudo fará sentido, pensando, sempre para que os outros não sintam e não vençam.
Na realidade, já Maslow falava nas necessidades e sua hierarquia, mas eu , eu preciso de brilhar para mim, preciso de ser livre e de, sobretudo, poder ser eu. É por tudo isto e mais algumas coisas que odeio a perfeição e o carácter imposto da boa educação.
Sei que lutar me devolve ao sofrimento e daí este ser opcional. Todavia, lutarei até à minha vez de ser cremado, lutarei até à última dose de dióxido de carbono que terei para emitir no ar. Em suma, tento combater o sofrimento, algo talvez “incombatível”, mas...felizmente eu luto e felizmente eu sou eu!