3 de setembro de 2011

A violação oferecida

Não me parecem raros os momentos da vida de alguém em que a entrega desmedida e desproporcional se torna hábito. Os alguéns vão oferecendo-se, permitindo e alimentando a sua própria exploração física e mental, de forma desprovida de consciência racional elementar: falo de violação.
Se, por um lado, no exemplo de um acto sexual os predadores e as vitimas existem e sabemos que sim, o que referir no que se refere ao âmbito social conjunto? Será que nada? Bom, a realidade conceptual favorece-me a capacidade de interpretação e conclusiva, para que, cada vez mais, possa afirmar que o ser humano tem por base a necessidade de falar em conceitos como Igualdade e Liberdade, adorando ser presa e prisioneiro de algo. Todavia, reparemos: num abuso sexual, existe a possibilidade, o direito e o dever de realizar uma apresentação de uma queixa formal junto de autoridades competentes. Por outro lado, quando conscientes da exploração, do abuso e do aproveitamento social, quais as medidas? Mais grave: o que dizer quando nos permitimos, cientes, a ser explorados? Bem vistas as coisas, houve alturas em que tão bem soube... Houve alturas em que o orgasmo social foi tão bem alcançado, que todos os fetiches conjuntos e de comunidade passaram a tornar-se realidades tão próximas dos alguéns...
Sim, de facto, há quem precise ser hipócrita e falso, para não caír no erro de admitir, um dia, que, outrora, mais ou menos longínqua, a puberdade chegou e as debilitações unipessoais a acompanharam.
Por motivos erróneos e desapetrechados, o ser humano é, ainda, tudo aquilo que tanto diz não querer ser e, até mesmo já não ser. Nos 365 ou 66 dias de liberdade, gostam de se sentir presos e atolhados. Adoram a sensação de poder atribuir culpas e responsabilidades a algo ou alguém, ou mesmo a algo na representação de alguém, reafirmando uma crença e um acreditar ao que apenas não passa de pura necessidade e pobreza espiritual própria. Claramente, o mundo de fachada e de escondidas, para o qual a contagem voltada para uma parede parece absolutamente desnecessária tal não é a utilização constante, alimenta os fracos egos do povinho maníaco e obsuleto.
É verdade, estamos num mundo, estamos no mundo...

23 de junho de 2011

Naturalmente Natural

Quando sentado num banco junto à praia, num local onde apenas do mar a areia me separa, as ondas tendem a cavalgar, reflectidas com o raiar do sol, numa direcção que, estranhamente, parece ser a minha.
Ao observar a realidade que patenteia a situação, ao perceber que a Natureza comanda aquilo que jamais será comandado, questiono-me, não sei bem porquê, sobre o que esconderá aquela imensidão de água, penetrado naquela estrutura lúcida e reluzente.
Sim, o vento vai soprando e, para além das cócegas que me faz nas narinas, obriga o imenso a tremer. Como serão estruturados os organogramas naturais? Existirão?
Enquanto estas inquietações continuam a perturbar-me, garanto ficar ofuscado com a quebra de garantias oferecidas pela individuakidae pessoal que tanto se impõe à fuga daquilo que é a sua essência: exactamente a mesma Natureza.
No rastreio áquilo que rodeia, cada um, por si só, apenas deseja a conjugação com os outros, na obtenção de um orgasmo social ofuscante e funcional enquanto esconderijo.

28 de março de 2011

Sentido (ir)real da Constituição

Simplesmente me apercebi que, de noite, o ambiente escurece, transformando-se, efectivamente, na realidade de quem o vive, apesar de por ele, apenas serem cumpridas as leis da natureza. Contudo, parece-me real que o dia não seja muito diferente. Talvez porque se viva de olhos fechados ou talvez não, mas, de facto, não me apercebo e passa-me completamente despercebida a claridade feliz e determinada.
Julgo que de nada valerá a constante tentativa de interpretar o impossível de interpretar. Na realidade, hoje sucede o que outrora ou amanhã não passará de absuleta miragem.
Profundamente desconhecido ou simplesmente ignorado, pelos cultos doutores intelectuais, parece-me inevitável falar da necessidade de revolução mental, sendo esta imperativa para qualquer coisa mais que se ambicione fazer.
Não me arrisco a dizer que se Camões cá viesse, hoje, ficaria chocado, apenas porque nada compreenderia e ninguém pode estagiar sobre algo desconhecidamente incorporado. Todavia, assim, nestas condições, eu, que ninguém sou, limito-me a dizer que tenho vergonha de pertencer a esta suposta civilização.

25 de fevereiro de 2011

O si em cada

Julgo ser o sentido de si que faz e constrói o cada, com a força e poder do cada que se limita a construir a natureza de si.
Percorremos um caminho armado, irrisório e caustico. Todavia, a natureza de si, ao contrário da da ciência, encontra-se em si mesma: na natureza, mas na de um cada.
É por aqui que a dificuldade em delimitarmo-nos ou descrevermo-nos, ou até a real impossibilidade de não nos descobrirmos a cada passo, faz com que sejamos o mar e nunca, jamais, a planície.
Inunda, o prazer constante, o sentimento e sentido da razão permanente e duradoura. Contento-me com a tragicidade e, pelo menos aqui, sei que este sou eu.
Estranho ou não, nunca me confundo. Distingo-me na multidão e louvo o mergulho na solidão na solidão da luta e da revolução. No entanto, a percepção de conjunto começa a ganhar sentido. Mas, na verdade, o mundo... o mundo nunca parou.

20 de janeiro de 2011

O sonho da luta na luta do sonho

Porque sinto que a luta se faz no caminho faminto do sonho.
Considero real o sonho, por mais abstracto que seja, uma vez que tudo o resto não vale nada. Sim, é com o sonho que me alegro e me torno alguém.
Pois bem, se a minha vida é a luta e o lutar, por mim e pelos meus ideais, o meu sonho é alcançar a minha glória. No entanto, cuidado, talvez a minha glória seja, em muitos casos, criadora dum império infeliz e confuso, mas a minha nobre satisfação.
Sinceramente, sei o que quero, reconheço meus sonhos. Todavia, a resposta ao como será sempre imprevisível.

5 de janeiro de 2011

O Corredor do Vento, numa claustrofobia em si mesmo

Talvez um simples corredor, ou talvez não! Entramos no dilema do meio cheio ou meio vazio, do meio feito ou meio por fazer. De facto, na displicência da vida nem tudo nos faz sentido em certos momentos. Serão eles de horror ou de, simplesmente, pura vida?
Uma passadeira vermelha não tem,certamente, mas, não duvido que não passa de um corredor!
Sim, neste corredor alguém corre, corre como se sentisse que a viagem está a meio de acabar, mas esquece-se, ou faz por esquecer que ainda apenas meia está percorrida!
Alguém corre, corre e continua a correr, bravo, lutador, consciente e ambicioso, mas o sentimento fraco em si faz com que ele não seja eu!
Por vezes, quando mais empolgado, corre e faz correr, estraga penteados, acentua os olhos semi-fechados da generalidade, mantendo os meus, sempre, semi-abertos.
Claro, que vento tão duro e marcadamente vigoroso, que corredor tão profundo a percorrer!
Caríssimos, nesta questão do corredor, entre nós e o vento, a única diferença é que ele vive, morre e, sim, renasce. Já nós, por mais naturais que sejamos, deixemo-nos de clichés, chegamos a certa altura, na passagem pelo corredor, e aprendemos a morrer.
Honestamente, julgo que a bravura e desinquietação do vento se prende com o facto de estar "claustrofobicamente" inserido em si mesmo e não, eu não consigo sustentar.
O vento parece temer a sua essência, o seu verdadeiro ser. Todavia, eu apenas sei, concretamente, que a cobardia é vitalmente utilizada, mas sempre por mim criticada.
Na verdade, eu sei, sei que o caminho é sinuoso, qualquer que ele seja, mas talvez o vento me deixe os olhos sempre meios abertos!

15 de dezembro de 2010

Na sombra da Sociedade

Um caminho sombrio, rasgado pela sombra do sol que não penetra, atravessado pela imensidão de alguéns vestidos de negro e de múltiplas cores. Sim, sem dúvida, não vejo maior motivo para caminhar.
Todos os dias, faça-se o que se fizer, somos capazes de nos deparar com muitas coisas que nos custam ver, que nos custam compreender. Todavia, eu, na minha pessoa, ainda me atrapalho, quase que apenas, comigo mesmo. Talvez não perceba os porquês ou talvez me custe entendê-los, mas, de facto, o orgulho existe mesmo na falta de compreensão.
Sinceramente, não me cabe na cabeça as motivações que levam alguém a debruçar-se sobre os cinismos da vida , pretendendo seguir, cegamento, mas de olhos bem abertos, aquilo que não são e tão pouco desejavam ser. É surreal que a entrega da personalidade, nos dias que correm, seja tão leviana e instrumental que, quase, muita gente, já o faça por instinto.
Uma coisa, caros leitores, vos posso garantir, se fosse como estes, não seria o que sou e o que sou deve-se ao trabalho que comigo faço todos os dias, olhando para mim.
Por vezes, sim, ocorre-me olhar para sociedade comum, mas o terror é tanto que acabo a preferir fechar-me em mim, lutando para que tudo mude. Fazer sentido ou não depende daqueles que interpretam as minhas e as palavra daqueles que talvez consigam ser meus inimigos, inimigos da palavra.
Para concluir, se me permitem, os desafios nunca são poucos e, para mim, dizer-vos que a minha vida não passa nem quero que passe de uma constante luta é um orgulho imenso, porque todos os dias encontro motivos novos ou semi-novos para o fazer.

JMP

14 de novembro de 2010

Eloquência natural

Olhando pela minha janela, observando o exterior, deparo-me com o balanço tépido de umas árvores que parecem querer dizer algo, mas calam no imenso movimento que praticam. Basta apenas uma simples rabanada de vento para que estas demonstrem a sua essência, nada dizendo, nada retorquindo para a vida.
É desta forma que ao observar estes elementos da natureza, sei que nada vejo, mas que vejo a realidade. A realidade de um mundo fraco e tremido, de uma sociedade parca em valores e pouco exigente. Provavelmente, está na moda (e porque se assim for nada há a fazer) retirar de moda os valores intrínsecos, regentes de uma comunidade. Na verdade, vivemos perante uma perspectiva economicista que apenas dá valor à distribuição do produto, desde que essa distribuição seja bem feita, ou seja, seja feita com enorme desigualdade e sem rigor.
Tal como a humanidade, estas árvores também irão morrer, também precisam de água para beber e de nutrientes para se alimentarem. De facto, um percurso de necessidades muito idêntico ao do Homem. No entanto, meus amigos e leitores, veja-se que até o são no comportamento. Abanam, mexem, batem as folhas e nada dizem. Parece-me um pouco como um comício politico: as pessoas abanam-se na desconfortáveis cadeiras destinadas à população, mexem-se e remexem-se à medida que os discursos as vão incomodando e o seu corpo vai ficando dormente, batem palmas mesmo não tendo percebido metade do que foi dito, mas... mas nada dizem para mudar!
Meus caros, não me restam dúvidas! O problema da nossa sociedade está na fraca capacidade de compreensão que o povo revela. Não tenho problema em admitir: julgo-nos um povo inculto e fragilizado.
Ao fim da tarde, ao olhar pela janela, as árvores lá estão, como que a observar tudo em seu redor, mas, surpreendentemente, já não mexem nem abanam, o vento parou...

31 de agosto de 2010

Um ópio, um desastre...

Absolutamente incrível e “cabrónico” o ópio do povo. Falo da religião e da crença e fé em toda a igreja, em todo o símbolo religioso.
Inocentes ou não (mais de acordo), entregam-se a uma figura pespegada numa cruz, dizendo bem forte: “ Sou teu, guia-me! Servir-te-ei!”. Escravatura? Ditadura? Qual destes o melhor? Será preciso refutar bem alto que a Idade Média e/ou os tempos de Salazar já lá vão? Tantas perguntas e nenhuma resposta, nem mesmo por parte daqueles que bem por dentro destes assuntos vivem e assentam.
Eu, e porque este é o meu espaço e aqui posso exprimir-me, tal como em todo o local do mundo, digo, caros leitores, que é absolutamente infeliz o facto de o ser humano (que tanto luta pela liberdade) se entregar a algo ou alguém , talvez alguma coisa, que dizem postular igualdade e amor e que, no fim, apenas desencadeia luta, guerra, relações de inferioridade/superioridade e destruição.
Na verdade, julguei e julgava que o mundo estava livre. Livre de repressão, livre da censura, mas pelos vistos não e simplesmente porque as pessoas não querem! Alguém julga que isto pode mudar? Já se esqueceram como era nos tempos da monarquia? Será necessário um livro de História??? Pois bem, ISTO nunca mudará! Se calhar, ao longo dos tempos, e porque o mundo foi mudando e (talvez) evoluído, todas estas “cabronhices” foram atenuadas, mas, simplesmente, porque lhes foi retirado grande parte do seu poder. Agora, hoje em dia, eles bem tentam, tentam... ir ganhando espaço para tentarem voltar a crescer, mas não podemos deixar. Eles são prepotentes, irrisórios, transeuntes e falsos. Se não, vejamos aquelas pessoas que aos Domingos se dão ao luxo (dizem elas) de se levantar cedo para ir à missa (das 11h:00min até às 12h:00min) apenas para tentarem ficar ilibadas dos pecados que cometeram a partir das 12h:01min do Domingo da semana anterior. Enganam-se a eles, e a quem pensa que eles naquilo acreditam. O que será isto?
Tenho sorte, tenho sorte de não me cansar de lutar, tenho sorte de ter a idade que tenho e poder pensar que muitos anos me restam para lutar. Eu sou livre e, não escondo o desejo de querer ver o mundo livre. Quebrar as mais diversas selas e prisões cansá-las e enfrentá-las é, uma das formas para atingir a liberdade de viver. Eu também acredito e tenho crenças, confio em mim, porque, pelo menos, ao olhar um espelho, a minha imagem reflecte e quando falo, a minha voz faz-se ouvir.

20 de junho de 2010

A viagem em mim

Sinceramente, naquilo que me diz respeito, uma viagem é e tem de ser sempre muito mais que um simples passeio, muito mais que uma simples viagem. Assim, cada viagem tem de ser encarada como A viagem.
Considero que todos os dias viajamos, dentro de nós e dentro de uma sociedade que nos rodeia e consome dia após dia. E sim, reflectindo sobre cada viagem que faço, seja para onde for, julgo que me desenvolvo e me vou conhecendo, a mim, quando penso que nada mais há para conhecer. Feliz ou infelizmente, quem sabe, ao viajar descobrimos outros povos, outras nações, outros costumes, enfim, simplesmente outras pessoas, diferentes ou iguais a tudo aquilo que sempre imaginámos.
A meu ver, julgo que devemos viver com o sentimento “prazeroso” de um mundo idêntico ao do “Peter Pan”, um mundo de sonhos e viagens constantes, na busca pela felicidade.
Uma viagem deve ser, assim, um momento de prazer e felicidade, um momento de busca e de complexidade, no qual nos devemos sentir bem, um momento de conquista, qualidade de vida e bem-estar.
Todavia, o problema surge quando este prazer, esta felicidade e este bem-estar não se alcançam. Aí, a vida deixa de ter o seu sentido lógico, a vida deixa de ser vida, porque ela é uma constante viagem, onde o normal não é normal e a irreverência tem de vir ao de cima.
Aqui, pretendo deixar bem claro que não tenho destino e apenas viajo por onde me levo e conduzo, viajo vivendo. Tendo, simplesmente, aprender a viver, para poder viajar.


12 de junho de 2010

Simplesmente nasci, nascido

Nascido para andar sozinho e para sozinho caminhar pelo infinito de tudo aquilo que não existe.
Foi num dia quente de Verão que resolvi dar uma dor de cabeça ao mundo, foi neste dia que chorei pela primeira vez. Desta vez, não me recordo, mas adivinho o propósito. Mais uma vez, lutar e nada mais que isso (como se isso pouco fosse)!
Nasci, nasci para me agradar e para me não arrepender, nasci para rebentar com a pobre e tristeza presença do mundo, na vida de cada um, que na minha vida existe, também. Nasci para me guiar, nasci para me determinar! Nasci para demonstrar a imposição de tudo aquilo que não quero que sigam, nasci para desfrutar da raiva e do furacão da necessidade de liberdade e de justiça. Nasci para combater a frustração do mundo, do meu mundo. Aquele que eu construo!
Nasci, simplesmente, para ser eu!

11 de junho de 2010

Aquela estupidez internamente incorporada

Todos os dias, a toda a hora, viajo sobre um mundo "irrealisticamente" formado e sustentado, onde grande parte das pessoas são estúpidas e horrorosamente aparentes.
É constante, em mim, a necessidade de perguntar e questionar esta gente, estes seres, se são sempre assim tão horrorosamente estúpidas, julgando-se estupidamente inteligentes, ou se encontram, naquele momento, a fazer um eforço suplementar.
Vivo sempre certo de que entre a verdade e a mentira existe sempre a dúvida e a dúvida é um posicionamento legitimado pela observação e experiência vivenciada.
Já dizia Popper que "o erro é o motor do conhecimento"!
Pobre sociedade horrenda, por ti eu não luto, lutarei pela justiça, pela igualdade e pela verdade e sempre por uma minoria que ainda existe e se irá manter.

4 de junho de 2010

O sofrimento do constante sentimento

É profundamente demarcado o facto de que, como já dizia Carlos Drummond de Andrade, a dor é inevitável e o sofrimento é opcional. Porém, quando me tento abstrair do carácter abstracto do pensamento só me resta a profundidade “desintelectual” do sentir, que me permite chegar mais alem, conhecer o sombrio e desvendar o encoberto. No entanto, se sinto para evitar a falsidade e tudo o que falacioso me parece, como poderei desvendar tudo em palavras? Serei obrigado a pensar? Em que ramo da mentira cairei?
De facto, eu sou eu comigo e ninguém nem nada poderá assumir o controlo de mim. Sou um eu uno e firmemente afirmado, num mundo falso e hipocritamente implícito numas realidades sonâmbulas e inexistentes.
No entanto, caio sempre na asneira de cair no raciocínio pensado, mesmo que tenha começado por um mais, ou completamente, sentido. É mais uma das minhas lutas! Sim, luto, com todo o empenho para combater o irreal da verdade e a ausência de justiça, mas ser eu, com toda a minha pujança é algo de que não abdico, sendo cada uma das minhas circunstâncias e características, intensamente.
Por vezes, parece-me que vivemos num mundo do Noddy, mesmo sem os guizos no carapuço, mundo em que tudo é colorido, fantasiado e uma simples brincadeira para certas idades. Terão todos vontade de ser “Noddies”?
Sinto-me cansado, raivoso e irritado, sentindo as minhas realidades circundarem-me, cheirando-as, tacteando-as, saboreando-as, ouvindo-as e vendo-as, mesmo no seu mai profundo estado de falsidade e “incompletidão”.
Não perfuro, como Descartes, a realidade ou não da minha existência. Contudo, prefiro também dizer: sinto, logo existo!, apesar de o meu carácter impulsivo e orgulhoso me conduzir ao raciocínio pensado, aquele que me faz sofrer.
E o problema começa agora. Se pensar faz realmente sofrer, por que é que sentindo também sofro? Sofro porque o ar é irrespirável, as pessoas inaudíveis, os sabores pálidos e pobres, e a conjuntura plácida e fraca. Começo assim a acreditar que tudo fará sentido, pensando, sempre para que os outros não sintam e não vençam.
Na realidade, já Maslow falava nas necessidades e sua hierarquia, mas eu , eu preciso de brilhar para mim, preciso de ser livre e de, sobretudo, poder ser eu. É por tudo isto e mais algumas coisas que odeio a perfeição e o carácter imposto da boa educação.
Sei que lutar me devolve ao sofrimento e daí este ser opcional. Todavia, lutarei até à minha vez de ser cremado, lutarei até à última dose de dióxido de carbono que terei para emitir no ar. Em suma, tento combater o sofrimento, algo talvez “incombatível”, mas...felizmente eu luto e felizmente eu sou eu!

2 de junho de 2010

A frustração de um mundo completamente desconjuntado

Raiva, ódio e rancor é o que consigo sentir por um mundo social completamente perdido nas ruas e trilhos da ociosidade e da melancolia. Ruas repletas de personagens tragicamente repugnantes que cruzam o caminho comigo, todos os dias, sem as poder evitar. Na verdade, também não o quero fazer, na medida em que amo a revolução e a luta, amo a conquista. Olho em volta e pouco mais vejo que prepotência em estado puro e inteligência e coerência em profundo estado de latência.
Nesta sociedade, a inteligência encontra-se “encamada”, completamente entubada e dependente de uma máquina para viver. Essa máquina somos todos aqueles que a temos de suportar e, ainda por cima, sustentar numa vida que queremos ao nosso rigor. Será lícita a Eutanásia?
Como se não fosse suficiente este degredo podre e mal cheiroso em quês estamos inseridos, todo este facto ainda me traz mais um problema, visto que digo e estipulo que para se ser meu amigo é necessário muito, mas para ser meu inimigo talvez seja preciso muito mais. Principal e certamente, para se ser meu inimigo é necessário ser-se inteligente, mas logo eu que gosto tanto de ter bons inimigos... Oh, o factor de dependência entre inteligência e meus inimigos faz com que quase ninguém me deixe ter o privilégio de o ter enquanto inimigo, que tristeza! Terei eu que mudar os rigorosos métodos de escolha?
Preciso de um mapa. Sim, não quero ir lá com a tecnologia do GPS, porque eu sou superior, eu sou especial, eu sou eu e sou inteligentemente estúpido para fingir o que bem me apetecer e o que não quero saber fazer! Preciso e quero um mapa para continuar a caminhar, mas azar dos azares daqueles que me rodeiam, todos os dias sou eu próprio a escrever o meu mapa, e esse, esse é só meu, guiado pelas minhas mãos e conduzido pelos meus passos de diabo sem nunca apontar a Deus.
Acredito, acredito que vivo num mundo completa e vividamente desconjuntado e frustrado por ser mundo. E aí sim reside o problema, na medida em que a frustração não é pelas características, mas sim por simplesmente ser mundo. Tenho vergonha da inércia causada propositadamente pelos inconscientes e pobres de espírito. São estes os que usam os argumentos mais estapafúrdios que me deixam sem saber se ria ou se tema!

29 de maio de 2010

Odeando a boa educação...

Odeio tudo aquilo que me faz não ser eu! Odeio e repugna-me tudo aquilo que me obriga a seguir parâmetros estipulados! Odeio não me poder mexer como quero!
Somos condenados pelo que dizemos, fazemos ou até pela forma como nos comportamos e como actuamos. Isto dá-me a ideia de que os professores e os teóricos da vida que falam no conceito de Aldeia Global se esquecem que isto é mas é uma Estupificidade Global, onde todos temos de seguir a etiqueta que não temos colada nas costas e o rótulo que os outros e todos querem de nós!
Sinto-me devorado pela sociedade e pela sua necessidade de parecença exterior, com algo que só existe de fachada. Concordo que seja bom rodearmos um assunto indo directo a ele, mas sabe muito melhor agarrar o touro pelos cornos. Não consigo compreender o fanatismo pela falsidade e pela incompletidão, não entendendo o poruê das pessoas em querem ser vistas na sociedade, iguais a ela. E é por isto, é por isto que hoje em dia nós somos mais aquilo que as outras pessoas julgam que nós somos, do que aquilo que nós realmente sabemos que somos. Sim, chegamos ao cúmulo, acabamos, muitas vezes, por não saber como agir, pensando naquilo que os outros devem gostar que nós façamos, mas isto numa perspectiva de socialmente correcto.
Estou engolido, engolido pela dispersão das verdadeiras personalidades de cada um e pela repressão que tudo aquilo que nos rodeia tenta atingir. Olho para alguém e já não sei o que ver, porque o espelho mostra esse alguém, mas também o raio da sociedade!




27 de maio de 2010

A inércia estupidificada

Todos os dias as pessoas impedem todos e todos, muito por tudo aquilo que a estupidez da maior parte da fantástica humanidade em que vivemos se resolve a fazer, a dizer e a pensar. A vida não é feita de prendas e felicidadezinhas de fantochada. Contudo, “derrota após derrota, até à vitória final” é desta forma que eu vivo e continuarei a viver, independentemente da fraqueza dos outros que me abrange pela sua imensidão de podre e irreal.
Caminho, todos os momentos, por trilhos conturbados, mas tudo aquilo que os conturba faz-me rir, rir à gargalhada, sem bem que, por vezes, não sei se ria se tema, não sei se ria se fuja.
Há um conjunto de pessoas que falam, sei serem capazes de dizerem alguma coisa, mas falam. Falam como se o amanhã fosse o fim, falam como que mentem, falam como que falseando a realidade que eles próprios postulam. Toda a inércia que estes indivíduos pretendem causar, apenas tem como fim a destruição dos outros, quando pela frente os incentivam.
Vivo numa sociedade acabada, uma sociedade fraca e sem escrúpulos éticos. Vivo num ambiente de masturbação cultural, onde cada um, por si só se sente prazeroso destruindo e combatendo os outros sem razão. Sim, eu comando-me por mim mesmo e sou eu mesmo, mas a destruição dos outros não me faz sentido. Sou por demais consciente para poder dizer que os meus inimigos se escolhem pela inteligência e não pela leviandade.
Digo-o, digo que o mundo está perdido, mas felizmente, felizmente há revolução, há luta e há ética e dignidade para defender dos tubarões sociais, tubarões insensatos, inconstantes e perturbados.
Felizmente há... felizmente ainda há pessoas!

19 de maio de 2010

Uma fuga até mim

Tenho de fugir! Sinto necessidade de, cada vez mais, me enquadrar em mim e em tudo aquilo que sou. Não consigo perceber este mundo patético e verdadeiramente “inconcebido”, onde a grande maioria se afunda numa profunda crise de valores, de ética e, porque não, de valores éticos. Não, não sou pessimista, mas de facto tentam manear um mundo que colocam de pernas para o ar como um belo atleta de ginástica.
Para alem de tudo, aquilo que mais me custa é o facto de as pessoas serem facilmente habituáveis e o Homem ser um animal de hábitos. Tudo isto leva a que, mesmo uma parte que contrapunha a realidade mais sonante, se vai juntando a eles, a eles, um “alguéns” que não conseguem vencer. Já lá dizia o ditado...
Na melhor das hipóteses, recebemos Sua Santidade, gastando balúrdios e ignorando uma série de “pormaiores”, relativos a muitos aspectos da realidade de cada indivíduo, mas na pior, na pior verificamos o Exmo. Sr. Presidente da República Portuguesa, a deixar bem claro que se não fosse a actual situação económico-financeira do pais, decidia e fundamentava, relativamente à temática do casamento entre pessoas do mesmo sexo, baseando-se em posições afincadamente pessoais. E isto apenas num curto e estreito rectângulo constituinte da península Ibérica que faz companhia à Espanha e que talvez, em posição de mapa, lhe coce as costas.
É-me muito complicado entender este mundo, quero o meu, anseio por estar dentro de mim, comigo e mais “migo”, podendo reger a minha loucura pela minha loucura. Necessito fugir, tenho necessidade de fuga, de fuga para mim, bem para dentro de mim!


16 de maio de 2010

Um constante agrupamento

Seguem-se os dias, seguem-se os momentos de uma vida ainda bem curta e espaçosa. No entanto, os agrupamentos continuam. Sendo impossível pensar um pensamento vazio de conteúdo, constantemente dou comigo a exercitar a mete, a mente do raciocínio. Não sei se bem se mal, porque, de facto, não sei o que são o bem e o mal. Raciocino, agrupo pensamentos, ideais, lógicas e sentimentos, relaciono tudo e distingo bem.
Cruzo cada dia, cada momento, e encontro sempre uma folha de papel, dentro do meu “Moleskine”, seguida de uma caneta verde, pois claro, que me pedem que os junte. Costumava pensar três vezes antes de o fazer, mas agora, agora limito-me a aceder ao pedido e quando este falha, eu deixo de ser eu. Posiciono o caderninho preto, agarro, com subtileza a esferográfica, fazendo-a deslizar por cima do papel. Pouco a pouco, palavra apos palavra, uma frase se forma e, de seguida, um parágrafo, um texto. Por esta razão eu digo e afirmo que nada mais faço do que juntar palavras, sendo que, por vezes, inventar algumas faz-me sentir vivo.
Juntar palavras, quaisquer que sejam elas, tenham o significado que tiverem. Junto-as! Observo o mundo, seus componentes e tenho-me como o meu mapa, o meu sitio, o meu eu. Não gosto de dizer que escrevo, porque não sei o que isso é. Limito-me a juntar simples palavras já existentes, talvez dando-lhes o sentido que bem me apetecer.
Contudo, há uma palavra de que nunca me consigo desligar: Saudade! Para mim, muito mais do que uma palavra caracterizadora do vocabulário português, mas sim um sentimento que, pelas pessoas certas, escolhidas por mim, ficará sempre comigo. Sentir saudade é muito mais do que sentir falta, é sentir a ausência em plena presença, é ser especialmente importante.
Desta forma, sonho, idealizo, sinto e penso, questionando-me sempre, mas nunca me atrevo a questionar a saudade, porque esta, esta só sente por quem sonhamos, por quem idealizamos, por quem sentimos algo, por quem pensamos e eu sei que se isto se passa dentro de mim é porque fui eu a escolher e determinar assim.
Serei, sempre, um simples agrupamento que consegue agrupar!



14 de maio de 2010

Um paradeiro imaginável

Calhou um dia de nevoeiro, mas daqueles em que D.Sebastião voltou a ficar em casa. Apenas resta o sonho, a transformação da realidade, a imaginação.
Seguindo nas estradas infindas de horizonte, tento cruzar-me com quem me aparece, com quem eu quero que apareça. Contudo, se olho para a frente apenas vejo nada e, olhando para os lados e para trás, mais nada vejo que o vazio. Estas estradas são a minha alma, uma alma sem rumo, mas com o rumo certo, uma alma forrada a carácter inteligentemente estúpido. Todas as pessoas que passam merecem a minha atenção, esta é uma alma personalizadamente exacerbada e tudo o que ela tem, tudo o que dela consta é tudo aquilo que eu quero, que eu crio e que eu escondo de mim mesmo. É difícil, por vezes, sonhar. Mais difícil é ser incompatível por eu apenas querer quem quero e o que quero. Porém, há momentos em que talvez tenhamos de sofrer, sofrer por um mal que não é nosso, mas de nós faz parte!
Hoje, mesmo que o dia tivesse sido de sol abrasador, na cidade da minha alma, o sentimento seria igual. Sou o que sou, o que quero ser!

11 de maio de 2010

Tipicidade portuguesa

Uma simples figura de Domingo. No entanto, desenganem-se, não vão à missa nem visitar a madrinha. Na realidade, o centro comercial e as baixas das cidades são, de facto, os locais de eleição.
Vejamos, o Zé Manel desfila de fato-de-treino azul escuro, verde e roxo, com uma camisa aos quadrados por debaixo do casaco, barba por fazer, coçando os pêlos da pança (que ao conduzir o obrigam a ficar a três metros do volante) e mostrando os mesmos da região peitoril suavemente cobertos com uma camisola interior, de alças, esbranquiçada. A sua postura não engana ninguém, tronco inclinado para trás por culpa dos consideráveis quilos a mais e uma barriga que nem uma grávida com nove meses de gestação ou uns litros de cerveja todos os dias conseguem igualar. Na rua, saca do cigarro e coloca os seus óculos de sol ray ban feirex, para que o estilo seja ainda maior. Dá uma primeira paça e não hesita em cuspir para o chão. Acabado o cigarro, é hora da pastilha elástica, elemento essencial para a demonstração de eterna badalhoquice, por ser mascada de boca, constantemente, aberta. Chegando a casa, abanca no sofá, já de molas dobradas, e liga o televisor no canal da bola, enquanto pede à Maria, que vai começando a fazer o jantar, que lhe traga uma cervejola bem fresquinha e, quem sabe, uns tremoços para acompanhar.
Meus amigos, o caso da Maria não é, de todo, mais exemplar. Acompanhando o seu homem na incursão ao centro comercial da zona, ela aperalta-se a rigor, esquecendo-se, porém, que a sua fisionomia pediria um pouco mais de tecido. Veste um vestido preto com brilhantes e coloca um cinto dourado na zona do peito (talvez para que quem passe olhe), deixando de cada lado, um exemplar modelo da Michelin, quem sabe para consumo próprio em caso de avaria no caminho. Calça umas meias pretas, rendadas e esburacadas que preenchem uns sapatos vermelhos envernizados, de tacão bem fino que, como andar naquilo é difícil, a faz andar torcendo, por completo as pernas. Vai avançando, abanando-se como gente, nos corredores, vendo as montras, mas curiosamente todas aquelas que vendem roupas que talvez a sua filha conseguiria usar. Problema! Ela experimenta mesmo e a rapariga da loja é obrigada a ir buscar o tamanho máximo ao armazém, ainda assim correndo o risco de ele rebentar e porque apenas quer vender, não é capaz de a mandar à loja em frente. A chiclete não falha, e a boca aberta com ela de um lado para o outro a deambular é presença obrigatória. Quanto à face, meus amigos, julgo que se consegue imaginar. Uma maquilhagem bem carregada de pretos e cores bem vivas, não chegando ao cumulo das espanholas, mas algo nojento. Chegada a casa, dirige-se para a cozinha e coloca-se a disposição de seu homem trabalhando nas lides domesticas e em tudo aquilo que ele desejar.
À noite, ui, aí nem eu quero retratar o que se poderá passar, prefiro imaginar algo mais aliciante, mas cuidado, as crianças têm de ser preservadas e, já agora, preservem-me desta constante orgia social!